No dia 16 de agosto, comemoramos 103 anos do nascimento de Millôr Fernandes, o Guru do Méier. Um dos criadores do jornal “O Pasquim”, Millôr foi desenhista, humorista, dramaturgo, escritor, poeta, tradutor – é um dos principais tradutores de Shakespeare no país – e jornalista.
Em 2000 lançou o “Saite do Millôr” ou “Millôr Online”, no qual passou a publicar novos textos e desenhos e a resgatar antigos trabalhos. A iniciativa, considerada pioneira na internet brasileira, acabou sendo um grande sucesso, o que levou seu criador a comentar: “-Se eu soubesse o que atrai tanta gente, nunca mais faria de novo”.
A Casulo teve a honra de ser responsável pela criação de e desenvolvimento do projeto, o maior site pessoal do mundo (ou “saite”, como o mestre gostava de chamar), durante 12 anos, de 2000 a 2012, através de uma parceria com o portal UOL com a direção de Rodolfo Neder.
Esse trabalho conjunto rendeu à agência reconhecimento e premiações expressivas na categoria de personalidades. O site alusivo ao autor conquistou por seis vezes consecutivas o prêmio iBest na categoria de Personalidades, destacando a inovação na época em traduzir a genialidade cáustica de Millôr para o meio digital.
Em seus mais de 70 anos de carreira produziu de forma prolífica e diversificada, ganhando fama por suas colunas de humor gráfico em publicações como Veja, O Pasquim e Jornal do Brasil, entre outras.
Dono de um estilo considerado singular, era visto como figura desbravadora no panorama cultural brasileiro. Em seus trabalhos costumava valer-se de expedientes como a ironia e a sátira para criticar o poder e as forças dominantes, sendo em consequência confrontado constantemente pela censura.
A liberdade que Millôr tanto prezava em seus trabalhos estendia-se também às convicções pessoais. Autoproclamado “livre-atirador”, dizia que o humorista nunca atira para matar. Buscava não se comprometer com qualquer movimento organizado político ou religioso, considerando a ideologia uma “bitola estreita para orientar o pensamento”. Defendia o livre pensar justificando que “não existe pensador católico. Não existe pensador marxista. Existe pensador. Preso a nada. Pensa, a todo risco”.
O desprendimento a dogmas, conceitos, mitos e sistemas de pensamento não resultava na falta de foco para seus artigos, pelo contrário: o alvo sempre foi o ser humano, o qual considerava “inviável”.
Fica aqui o nosso carinho, admiração e felicidade por ter convivido com um dos nomes mais importantes do jornalismo brasileiro, que nos deixou um legado enorme e faz grande falta por seu humor inteligente e suas críticas sociais precisas e contundentes.
Viva Millôr Fernandes!